terça-feira, 22 de maio de 2012

Brasil não tem planejamento logístico

Infraestrutura

Diretor do Deinfra da Fiesp alerta: 'Brasil não tem planejamento logístico'

Carlos Cavalcanti diz que não houve avanços significativos no país desde a 6ª edição do Encontro de Logística e Transportes da Fiesp


Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp
Leia entrevista do diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, sobre alguns dos temas que estarão em discussão no 7º Encontro de Logística e Transporte. O evento da Fiesp acontece nestas segunda e terça-feira (21/05 e 22/05), no hotel Unique, em São Paulo.

O Encontro de Logística e Transportes chega à sua sétima edição. O que mudou do ano passado para cá? Quais os avanços?
Carlos Cavalcanti - Esse é o problema. Houve poucos, se é que houve algum. Mesmo políticas inovadoras, como a concessão dos aeroportos, estão com erros e procedimentos do ponto de vista do governo federal. Mas o problema central, já levantado pela Fiesp no 6º encontro, exatamente um ano atrás, muito no clima de uma expectativa positiva do início do governo da presidente Dilma Rousseff, ele se viu frustrado. Nossa expectativa um ano atrás era muito grande no sentido de que, quem introduziu o sistema de planejamento no setor elétrico brasileiro foi a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, na reforma editada na passagem de 2003 para 2004. E o setor elétrico brasileiro tem um modelo de planejamento e de gestão considerado extremamente avançado por qualquer país do mundo.

Quais sãos os avanços do modelo de gestão do setor elétrico?
Carlos Cavalcanti – O setor elétrico brasileiro é capaz – através de sucessivos planejamentos realizados anualmente e que projetam os dez anos seguintes – de estabelecer uma política conjunta para os investimentos na área de energia. É possível prever as necessidades de aumento da oferta de energia do Brasil com anos de antecedência e tomar as ações para antecipar os investimentos, inclusive especificando quais fontes de energia serão responsáveis pelo aumento da oferta, quantas hidrelétricas, eólicas, portanto, quantos megawatts serão incorporados à capacidade da oferta de energia no Brasil. Tudo isso feito de uma forma unificada, controlada. E o setor elétrico brasileiro tem apresentado até folgas em termos de oferta e capacidade de transmissão de energia elétrica e ampliação da malha de distribuição. Como este modelo extremamente sofisticado está em vigor no Brasil já há bastante tempo, há mais de oito anos, era de se esperar que no setor de transportes nós tivéssemos o mesmo.

Quais são os principais problemas brasileiros na área de transportes?
Carlos Cavalcanti – Vou explicar: o porto não é uma unidade em si, ele tem problemas de acesso. E os acessos aos portos podem ser feitos de duas formas, por rodovia ou ferrovia. Pode até ser por hidrovia, mas é mais difícil. Não se pode falar da ampliação da capacidade portuária e da gestão da operação portuária sem falar do acesso. Não se pode falar da ampliação de um aeroporto sem falar como as pessoas chegam ou saem dos aeroportos. Também é fundamental o problema das estradas e do transporte público para chegar e sair dos aeroportos. Não se pode falar da ampliação da malha rodoviária no Brasil, independentemente de discutir a ampliação da malha ferroviária. O correto a se pensar em uma matriz de transportes é que tanto a coleta de mercadorias como a distribuição sejam feitas pelo sistema mais capilar, o sistema rodoviário. O eixo de transporte de um polo produtor para um polo consumidor tem que ser feito através de modais de transporte que sejam mais eficientes e mais competitivos, e que colaborem com a redução de emissões de gases de efeito estufa (e a própria poluição) porque nossa matriz de transportes está baseada em caminhões.


Cavalcanti: 'O correto a se pensar em uma matriz de transportes é que tanto a coleta de mercadorias como a distribuição sejam feitas pelo sistema mais capilar, o sistema rodoviário'
O que deve ser feito para articular a expansão do sistema?
Carlos Cavalcanti – Seria preciso que os que estão planejando a expansão de malha ferroviária e rodoviária, portos e aeroportos, além de hidrovias, se conversassem e se articulassem como fazemos no setor de energia. O ministério de Minas e Energia, a Empresa de Pesquisa Energética e a Aneel articulam a política de expansão de hidroelétricas, a política de expansão de usinas eólicas, de usinas térmicas, de usinas nucleares, enfim, aquilo que são “os modais de energia”, no caso do Brasil, no planejamento é integrado, e era de se esperar que seria isto a busca da eficiência que nós precisaríamos ter no setor de transportes.


Então, falta integração dos modais e um planejamento estratégico mais efetivo?
Carlos Cavalcanti - Falta planejamento para integrar e falta logística. Por isso nós fizemos uma ampla campanha de mídia dos anúncios deste encontro que é “Brasil: um país sem logística?”, para que a gente levante exatamente este problema da falta de planejamento, desta falta de integração. O que nós temos hoje são três ministérios cuidando do assunto no Brasil, algumas secretarias, várias agências reguladoras, e não há racionalidade nisso. Nós fizemos concessão de aeroportos sem discutir a ampliação de acesso a eles. Aumenta-se a capacidade, investe-se nos aeroportos - como nos três concessionados – bilhões de reais para aumentar a capacidade das pessoas chegarem ou partirem de avião. O problema é que as pessoas precisam chegar até o aeroporto. O problema é que as cargas precisam chegar ao aeroporto ou sair dele quando elas chegam por meio do modal aeroviário. E é a mesma situação nos portos.

Quais são os problemas nos portos?
Carlos Cavalcanti - Um dos painéis desse encontro recentemente realizado aqui em São Paulo, na Fiesp, é “Santos, um porto distante”. Por incrível que pareça, um porto que está a 60 ou 70 quilômetros da capital é um porto de corrida de obstáculos para chegar, por causa dos congestionamentos, das filas, pela ineficiência da infraestrutura, de operação; medidas práticas que a Fiesp tem levantado junto com a Firjan. Temos lá uma infraestrutura de mais de um século no porto de Santos e que funciona oito horas por dia. Porque os órgãos públicos, como Receita Federal, Anvisa e operadores não funcionam 24 horas. Quer dizer, você tem a capacidade com uma simples medida administrativa, que é dar eficiência para que este porto trabalhe, digamos, 16 horas, caso dos grandes portos do mundo que levam a sério seu comércio exterior, que levam a sério a atividade exportadora de sua economia. O navio não pode chegar às 18h10 e ficar esperando até o dia seguinte. E isso, se acontecesse até que não seria tão grave, mas no Brasil os navios esperam dias. E isso acontece porque evidentemente aquele que chegou antes faz a fila, e o porto funciona oito horas por dia. Não há operação de carga e descarga, não liberação alfandegária, não há inspeção sanitária para embarque e desembarque. Então o navio só pode ser carregado ou descarregado das 8h às 18h, e isso gera uma enorme ineficiência. Isso é um desperdício brutal e criminoso da infraestrutura que custou ao cidadão brasileiro construir neste país. Há outras situações como essa, que provocam que a indústria brasileira, absolutamente inovadora, tenha investido no melhor dos meios de produção, do sistema, das máquinas para produzir, ela produz com muita competitividade porque ela tem dentro da fábrica uma preocupação lógica empresarial, que se perde na hora em que se abre o portão da fábrica e a mercadoria começa a percorrer seu caminho para o consumo. Seja no Brasil, seja no exterior.

Quais são os prejuízos decorrentes deste cenário?
Carlos Cavalcanti - São imensos. A ineficiência assim como a corrupção geram prejuízos. Então, a transparência é algo fundamental. Estamos trazendo para este seminário o Tribunal de Contas da União (TCU), que tem tido uma atuação fundamental na fiscalização de obras. Eles vão mostrar números e metodologia, inclusive as mais importantes que são as preventivas, onde um determinado edital de licitação de uma obra em primeiro lugar passa por uma auditoria prévia antes de ser licitado do Tribunal de Contas. Nós vamos apresentar uma compilação de números muito forte no sentido de mostrar o trabalho do TCU que tem sistematicamente baixado o preço das obras, o que evita o desperdício e evita que paguemos mais do que aquilo vale e evite corrupção. Mas há os casos também em que durante a fiscalização, enquanto a obra está acontecendo ou depois de finalizada na sua prestação de contas, o TCU e a própria Advocacia Geral da União (AGU) investigam esses contratos e punem empresas e autoridades que fizeram a má gestão desses recursos.


Cavalcanti: A maior parte dos ativos de infraestrutura (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias) se sustenta por meio de um regime de concessão. A obra não precisa ser feita pelo governo
Qual é a posição da Fiesp sobre o assunto?
Carlos Cavalcanti - O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, publicou recentemente um artigo escrito a quatro mãos com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa, no qual nós do setor privado e da indústria brasileira, representada pela Fiesp e pela Firjan pelos seus presidentes, estamos dizendo muito claramente à sociedade, diante de tudo que estamos vendo, que não adianta só atacar o funcionário público corrompido. Para todo corrompido é preciso haver um corruptor. E evidentemente esse corruptor está no setor privado. E nós não temos nada a ver com interesse de corruptores – esse recado é muito claro da Fiesp e da Firjan, que nós não pactuamos com o crime nem com práticas empresariais que, em última instância, são criminosas perante a sociedade. Este é um ponto que vamos tratar na abertura do 7º Encontro de Logística e Transporte na primeira palestra depois da sessão de abertura, com todas as letras, com toda a transparência, dizendo o compromisso da Fiesp e da Firjan no combate à corrupção que se dá – no caso a ser abordado neste encontro – no setor de infraestrutura do Brasil.

O combate à corrupção é uma proposta da Fiesp para a melhoria da eficiência e da competitividade?
Carlos Cavalcanti – Sim, e de toda a sociedade brasileira. Todos nós, brasileiros, precisamos dizer não à corrupção. Não é possível construir uma estrada que custe um centavo de real a mais do que o preço justo do seu edital de licitação, não é possível construir um aeroporto, qualquer obra pública. A corrupção é um custo porque é um dinheiro a mais que a gente paga. E este dinheiro sai de onde? Não é da máquina da Casa da Moeda, que imprime o dinheiro. Sai dos impostos que a sociedade recolhe através do recolhimento dos impostos nos salários e de tudo que consumimos. A sociedade brasileira precisa se indignar com a corrupção, precisa estar muito atenta em relação a isso e não admitir práticas duvidosas de nenhum governo, de nenhum dos 26 governos estaduais, de nenhuma das mais de seis mil prefeituras brasileiras e do Governo Federal em seus mais de trinta ministérios. Esta situação é fundamental como alerta para a sociedade. E nós estamos deixando muito claro e esta declaração-compromisso do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi muito clara. Repito: para todo ato de corrupção existe o corrompido e o corruptor. E esse corruptor muitas vezes está no setor privado. Nós, que representamos a parte do setor privado que é a indústria, temos compromisso com o combate à corrupção.

Com o senhor vê o modelo de concessões no Brasil?
Carlos Cavalcanti – A maior parte dos ativos de infraestrutura (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias) se sustenta por meio de um regime de concessão. A obra não precisa ser feita pelo governo. O governo, que tem o poder de construir esses empreendimentos, pode e deve transferir ao setor privado a responsabilidade do investimento para construir esses novos bens que depois ficam para a sociedade. Mesmo que o investidor construa uma nova estrada, um novo porto ou uma nova ferrovia, ele constrói, explora comercialmente aquilo por um determinado tempo e, depois, no final do contrato no prazo estabelecido, aquilo vem pra sociedade, que retorna para o Estado, para o país, não é mais do empreendedor. Discutiu-se muito no Brasil se nós privatizamos aeroportos, mas a Constituição proíbe a venda de aeroportos, que são bens públicos no Brasil. Ninguém vendeu o aeroporto, ninguém vendeu “fatias” da Infraero, o que fizemos foi uma concessão por um tempo limitado. O aeroporto de Guarulhos foi concessionado por 20 anos, o aeroporto de Brasília por 25 anos e o de Viracopos, 30 anos. Tempos diferentes. Significa que esses novos concessionários vão administrar esses empreendimentos e depois vão embora, como acontece no caso das hidrelétricas, da energia. Esses projetos, para serem construídos e administrados, quanto menos interferência do governo como investidor e como gestor, melhor é para o Brasil, porque os impostos que arrecadamos, em vez de construir portos e aeroportos, vão para a construção de escolas, hospitais, remunerar policiais na rua que cuidam da nossa segurança. Vão construir bibliotecas, teatros, outros equipamentos necessários à vida; preservar parques, implementar áreas verdes nas cidades. Nós queremos um governo forte na regulação para estabelecer regras. Não se faz duas rodovias paralelas para haver concorrência no preço do pedágio, isso não acontece. De São Paulo ao Rio de Janeiro você faz uma, de São Paulo ao Paraná você faz outra, de Curitiba a Florianópolis faz outra. O setor de infraestrutura opera naquilo que se chama monopólio natural e, quando se transfere a gestão para o setor privado, é preciso tomar cuidado porque ele vai querer o maior lucro possível, e é preciso controlar esse apetite pelo lucro do setor privado, estabelecendo a defesa do consumidor, que é estabelecendo tarifas e preços para a utilização dos serviços que não sejam abusivos. É preciso saber se aquele plano de investimentos, que foi comprometido, que foi acertado no momento de uma concessão, está acontecendo, na qualidade e no prazo em que foi combinado. Então há um enorme espaço para o governo no sentido de governar, no sentido de regular, no sentido de disciplinar e controlar. O governo não precisa ter empresas estatais para operar rodovias ou para construir portos e aeroportos.

Qual sua analise sobre a recente concessão dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas?
Carlos Cavalcanti – Fizemos a forma correta que foi passar a gestão dos aeroportos para a iniciativa privada com uma mudança grave e ruim: ao contrário do setor elétrico, ao contrário do que se fez em rodovias federais no Brasil, inclusive quando o setor elétrico era comandado pela então ministra Dilma Rousseff e quando a modelagem da concessão de rodovias foi definida por ela, a adoção do critério de menor tarifa que ela então colocara agora foi abandonado nos aeroportos. Isso preocupa demais a Fiesp. Quem viu nos jornais notícias sobre o ágio no leilão lembra o quanto se ofereceu a mais do preço mínimo do preço dos aeroportos. Esse é um dinheiro que encarece o serviço e que vai ser arrecadado pelo Estado. Quanto maior o ágio, mais caro fica o serviço para o usuário. Este ágio é o que o governo recolhe pela cessão. Agora, como é que funciona no setor de energia e como é que funciona quando se faz pedágio por menor tarifa? Coloca-se no leilão outro critério: na operação do aeroporto, qual é a menor tarifa que vai ser dada ao cidadão que está embarcando e para a pessoa que precisa operar ou desembarcar uma carga? Percebe-se uma diferença brutal. Aqui quem ganha com a menor tarifa é toda a sociedade, é o usuário. Lógico que o governo errou e nós vamos discutir. Porque é um imposto disfarçado. Só o governo arrecada, a população não se beneficia. Então, quando isso acontece, contribui-se para aumentar o custo de produção e de operação na economia brasileira. Em vez de ter uma rodovia mais barata, vai haver uma ferrovia mais cara, um porto mais caro. Isso não é do preço do produto, isso diminui a capacidade de consumo e da própria competitividade do Brasil em relação a outros países do mundo.


Cavalcanti: 'Os investimentos em infraestrutura no Brasil são inferiores ao aumento da demanda porque não há planjeamento'
E como está o Brasil com relação à infraestrutura, em comparação a outros países?
Carlos Cavalcanti - Depende do país. Em relação aos países mais desenvolvidos, nossa infraestrutura é péssima. Comparando com alguns países muito mais pobres que o nosso, a infraestrutura do Brasil é adequada. Compare internamente a infraestrutura que existe em São Paulo com a de outros estados do Brasil. Em geral o Brasil tem, em um índice de 1 a 5 do Banco Mundial, um número de infraestrutura pouco abaixo de 4, que é um bom status. O Brasil tem infraestrutura, o problema é o investimento da infraestrutura brasileira foi feito muito concentrado nos anos 70 e 80, depois disso entrou num processo enorme de estagnação de investimentos por falta de investimento do Estado, que não teve a capacidade de partir para um processo de concessões. Quando esse processo começou a deslanchar no final dos anos 90, algumas situações melhoraram.

Os investimentos são inferiores ao aumento da demanda?
Carlos Cavalcanti – Sim, são inferiores porque não tem planejamento. Imaginem se descobríssemos em 2017 que nós não tínhamos feito as usinas para garantir a energia elétrica para o consumo do Brasil neste ano. O que iria acontecer? Ficaríamos às escuras, haveria racionamento de energia como tivemos em 2001 e 2003. Às 18h, apaga-se a luz, desliga-se a televisão, param a fábrica para racionar energia para o brasileiro tomar banho quando chega em casa. O Brasil, nas projeções da FAO (Food and Agriculture Organization), terá que dobrar a produção de alimentos até 2050 para dar comida à população mundial, que será de 9 bilhões de habitantes. E o único país que tem as três condições – território, água e clima – é o Brasil. O que vai acontecer com a logística brasileira se não atentarmos a isso? Não adianta só a fazenda produzir a soja, por exemplo. E daí? O que fazemos no Brasil hoje?

Como é a situação atual no transporte dessa produção?
Carlos Cavalcanti – Produzimos soja no coração da América do Sul, na nossa fronteira com Bolívia e Paraguai, no centro-oeste brasileiro, e exportamos soja via caminhão descendo até o estado do Paraná, no sul do Brasil, para exportar pelo porto de Paranaguá. Nós somos loucos! A soja dá a volta pelo sul do continente, desce a costa brasileira, desce o litoral da Argentina, passa do Atlântico para o Pacífico, e começa a subir de novo até o Chile para embarcar para os mercados da Ásia. Do coração da América do Sul, no centro-oeste brasileiro, estamos a 1.000 quilômetros em linha reta dos portos do Chile e do Peru, e não temos uma rodovia ou ferrovia que nos una. Obviamente que estamos trabalhando com outros países da América do Sul, fizemos recentemente um seminário importantíssimo. Então, essa volta toda que se dá somam 7.000 quilômetros, quando a distância poderia ser sete vezes menor. Isso é logística, é pensar no escoamento da produção brasileira. Será que o número de passageiros entre São Paulo e Rio de Janeiro vai aumentar também? Muito provável que sim. E será que paulistas visitarão o Rio de Janeiro e vice-versa? É possível prever, como é que se encara este problema? Precisamos de mobilidade. O quanto podemos aumentar a capacidade de pousos e decolagens entre Rio e São Paulo? Nada. Quantas pistas é possível aumentar nas rodovias Ayrton Senna ou Dutra? Mas isso, o ministério dos Transportes não fala com a ANTT, o porto não fala com o aeroporto, e aí não se tem esse planejamento no Brasil. E esse é o alerta da Fiesp.

Edgar Marcel e Nina Proci, Agência Indusnet Fiesp

São paulo 21 maio 2012

7º Encontro de Logística e Transportes - FIESP



7º Encontro de Logística e Transportes 2012 - FIESP

O Brasil possui condição bastante favorável em relação à maioria dos países, apresentando perspectiva de crescimento econômico com taxas entre 4% e 6% para a próxima década.

Para suportar esse ritmo de crescimento serão necessários investimentos vultosos para ampliar a infraestrutura e eliminar gargalos existentes. A participação do setor privado neste processo será imprescindível, uma vez que o setor público não terá condições de arcar sozinho com esse grande esforço.

Para garantir um crescimento consistente e sustentável, é fundamental assegurar a ampliação e modernização da infraestrutura de transportes, promover a integração racional dos seus diversos modais, agregar qualidade e reduzir os custos logísticos na movimentação dos nossos produtos.

O planejamento eficaz e o aperfeiçoamento do marco regulatório do setor de transporte são fatores imprescindíveis neste processo, necessários para consolidar um ambiente que proporcione transparência, equilíbrio e segurança jurídica a todos os agentes que atuam no setor.


É neste contexto que a Fiesp promove o 7º Encontro de Logística e Transportes, com o objetivo de elaborar juntamente com a participação dos diversos agentes do setor, propostas de programas e de políticas públicas para o setor de transporte do Estado de São Paulo e do Brasil, que sejam relevantes para o crescimento sustentável do país e para tornar o setor produtivo brasileiro mais competitivo.

Sobre o evento


A evolução dos sistemas de transportes, considerando-se a baixa capacidade da infraestrutura existente, a necessidade de aperfeiçoamentos e de adequações no marco regulatório e os altos custos praticados na prestação de serviços, não tem acompanhado o crescimento do setor produtivo brasileiro, que clama:


  • Pela efetiva retomada da atividade de planejamento no setor;
  • Por soluções dos gargalos estruturais e pelo aumento da eficiência;
  • Pela ampliação da rede logística de transportes, consolidando as rotas de exportação e a integração regional na América do Sul;
  • Pela prática da modicidade tarifária e da sustentabilidade na prestação dos serviços;
  • Pela efetiva participação do setor privado nos investimentos e na prestação dos serviços;
  • Pelo aperfeiçoamento normativo e institucional necessários para consolidar um ambiente regulatório com transparência, equilíbrio e segurança jurídica a todos os agentes do setor, inclusive o usuário.

Participe do debate com as principais personalidades que influenciarão nas decisões sobre essas questões.

Novo Eldorado em MG

Manabi prevê investir US$ 4,1 bi até 2016


O plano de negócios prevê investimentos de US$ 4,1 bilhões até 2016, para montar um projeto de duas minas de ferro em Morro do Pilar e Morro Escuro, em Minas Gerais. O empreendimento inclui um terminal portuário em Linhares (ES).

Para sustentar financeiramente esse plano, a Manabi planeja fazer uma oferta inicial de ações (IPO) ao mesmo tempo no Brasil, Estados Unidos e Canadá. A operação será inteiramente primária. Na parte brasileira da operação, a empresa se listará no Novo Mercado e emitirá também ADRs para investidores americanos. Já na parte canadense, emitirá recibos globais de ações (GDRs).

Apesar de já ter enviado o pedido de análise à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a Manabi deve esperar ainda alguns meses para concretizar sua oferta de ações, dado o fraco apetite dos investidores com o cenário de incertezas na economia internacional.

"Com o aumento da aversão ao risco, só vai tentar captar na bolsa quem está precisando de muito do dinheiro. Quem puder, vai esperar um momento mais oportuno se não quiser um desconto no preço estimado para as ações", avalia Flavio Leoni Siqueira, sócio do Leoni Siqueira Advogados.

O projeto da Manabi é lançado em uma hora de muitas incertezas sobre os rumos da economia global: crise dos países da zona do euro, desaceleração da China, maior mercado de minério de ferro no mundo - e retomada econômica lenta dos EUA. Há um grande excesso mundial de oferta de aço e uma legião de novos projetos de minério de ferro - no Brasil, na África e na Austrália.

No Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), novas minas e projetos de expansão anunciados levariam até 2015 a produção do patamar atual de 400 milhões para 770 milhões de toneladas. Somente Vale e CSN ofertariam cerca da metade desse excedente. Além delas, há MMX, Anglo American, Usiminas, ArcelorMittal, Bamin e Ferrous, dentre outros grupos.

Estudos de consultorias e bancos especializados apontam superávit na oferta no mercado transoceânico a partir de 2013, após três anos de déficit. Esse fator terá peso nos preços futuros da matéria-prima do aço. De mais de US$ 200 a tonelada no mercado à vista chinês, antes da crise de 2008, a cotação desabou em 2009, recuperou-se em 2010, para US$ 185, e no ano passado, com o cenário de crise e desaceleração chinesa, caiu a US$ 116. Atualmente, o minério oscila entre US$ 130 e US$ 140.

Esse é, ainda, um bom patamar de preço. Todavia, está amarrado no potencial de demanda chinesa pela matéria-prima. Outros grandes mercados estão estagnados ou em queda: Japão e Europa. Metade da exportação brasileira vai a China. Algumas projeções otimistas apontam o minério em torno de US$ 120 a tonelada daqui um ano. As mais negativas já indicam a faixa de US$ 80.

O projeto da Manabi, no Quadrilátero Ferrífero de Minas, tem nos seus estudos preliminares de viabilidade, conforme o prospecto, jazidas que abrigam, juntas, 1,5 bilhão de toneladas de recursos inferidos e cerca de 2 bilhões em potencial exploratório.

A expectativa é de que as minas comecem a operar até o fim de 2016, com produção estimada de 31 milhões de toneladas por ano. A qualidade do minério, diz, é elevada, com teor de ferro de 68,5% - a título de comparação, o minério da Vale, considerado "premium" e negociado com ágio em relação à média, tem um teor de ferro de 66%. A Manabi almeja justamente o mercado "premium"..

Conforme o plano de negócios, a mina de Morro do Pilar, com o maior potencial de produção - 25 milhões de toneladas ao ano - será voltada para o mercado externo. O produto será escoado pelo Polo Norte: terminal portuário de 1,2 mil hectares e 6 km de costa, a ser construído em Linhares.

A ligação entre a mina e o porto será feita por um mineroduto de 503 km, cuja construção deve ser terceirizada. No prospecto, a empresa afirma que está em negociação com construtoras para o projeto. A Manabi pagaria uma taxa pela utilização da estrutura.

Outra opção avaliada pela empresa é utilizar a Estrada de Ferro Vitória a Minas, da Vale. Essa possibilidade, se negociada com sucesso, demandaria a construção de um mineroduto de 107 km ligando a mina aos trilhos da EFVM e mais uma ferrovia de 80 km, para completar o percurso até o porto.

A mina de Morro Escuro, por sua vez, apta a fazer 6 milhões de toneladas/ano, prevê atendimento do mercado interno, como as siderúrgicas da região de Itabira (MG). Segundo a empresa, dada a proximidade, não há necessidade de construção de estrutura de escoamento. Prevê modal rodoviário ou ferrovias da região.

A Manabi foi criada em março de 2011, por Ricardo Antunes Carneiro Neto, que trabalhou 22 anos na Vale e foi co-fundador da LLX e da MMX, controladas do grupo EBX. Em junho, a empresa levantou R$ 759 milhões em uma oferta privada de ações feita nos Estados Unidos, que permitiu a entrada de estrangeiros, predominantemente canadenses.

Hoje, a Fábrica Holdings, fundo de investimentos liderado por Carneiro, tem 60% das ações ordinárias da companhia e 19,13% do capital total. Michael Vitton e Mathew Goldsmith, canadenses que participaram da fundação da HRT e tiveram passagem pelo conselho da MMX, detém 20% das ações votantes e 7% do capital total cada um.

O fundo de pensão dos professores de Ontario tem 21% do capital total e o fundo soberano da Coreia do Sul, 12,5%. Fundos geridos pela Southeastern Asset tem mais 13% do capital.

Fonte:  Jornal Valor Econômico

Publicada em:: 21/05/2012

EcoRodovias entra no setor portuário

 

Logistica: EcoRodovias entra no setor portuário



O grupo EcoRodovias comprou 41% de participação no Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi) do porto de Santos. O negócio fechado por R$ 540 milhões inclui a opção de compra dos 59% restantes em um ano. A estratégia, porém, é assumir o controle até o fim do ano. A compra foi feita com 30% de capital próprio e 70% por meio de emissão de dívida, disse o presidente da companhia, Marcelino Rafart de Seras, em entrevista exclusiva ao Valor.
As ações foram adquiridas do grupo Formitex, que há uma semana assumiu o controle integral do Tecondi, com a finalização da compra da parte do sócio, o grupo Barbeito. O atual presidente do Tecondi continua sendo o executivo Cesar Floriano, do Formitex. O novo vice-presidente do terminal é Luis Opice, presidente da Elog - braço de logística da EcoRodovias.
A aquisição inclui ainda a Termares (armazém alfandegado) e a Termlog (de transporte e logística) que dão apoio às operações do Tecondi, o único dos três com saída para o mar. O terminal tem três berços de atracação privativos, com extensão de 703 metros, e cinco pátios de armazenagem que totalizam retroárea de 181 mil m2.
Com a compra do complexo Tecondi - primeiro ativo portuário da EcoRodovias - a área de logística passa a responder por 35% da receita da companhia ante fatia atual de 14%. O principal negócio do grupo ainda é a concessão rodoviária nas regiões Sul e Sudeste.
Com os ecopátios Cubatão e Imigrantes e as demais unidades da Elog Sudeste - localizadas em um raio de até 200 quilômetros do porto de Santos - a EcoRodovias tende a dinamizar a atual capacidade da instalação portuária.
A estimativa é encerrar o ano com 500 mil contêineres movimentados na instalação, alta de 61% sobre o registrado em 2011, diz Seras.

"O grande problema hoje do Tecondi é a falta de retroárea, que vamos potencializar com os nossos ecopátios, principalmente o de Cubatão, que
tem 443 mil m2. Basicamente será gestão e controle." Entre os investimentos, estão a aquisição de novos equipamentos e reordenamento da área.O grande atrativo da compra, costurada há cerca de três semanas, foi a região em que o Tecondi está localizado, porque contíguo a ele existem três áreas cujos contratos estão terminando.
O plano da Codesp é licitar as três áreas (que, somadas, têm 207 mil m2) em uma única concorrência, cumprindo a premissa mundial de que terminais de contêineres são tanto mais eficientes quanto maiores forem suas dimensões. Faz sentido o Tecondi vencer a futura licitação, passando a ser um terminal de grande porte, em condições de competir com o novo padrão de terminais de Santos - a Embraport e BTP (em construção) e Santos Brasil, o maior do porto. "Esse é o objetivo e nós vamos participar dessa disputa", diz Seras.

Jornal:  Valor Economico - 21 maio 2012

FIERGS e a Bancada Federal Gaúcha

Setor industrial apresenta prioridades
para Bancada Federal Gaúcha

 

 Indústria e Desenvolvimento
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) realizou nesta segunda-feira (21), em sua sede, uma reunião com a Bancada Federal Gaúcha. A entidade apresentou uma pauta mínima com os temas que impactam na competitividade do setor produtivo. "Nosso propósito é colaborar, através do diálogo franco e aberto, posicionando abertamente os interesses do setor industrial no desenvolvimento sustentado do País", afirmou o presidente da FIERGS, Heitor José Müller, ao abrir o encontro, que contou com 13 parlamentares.


Entre os temas que tramitam no Congresso e contam com apoio da FIERGS, receberam destaque na reunião a necessidade de tornar o Reintegra uma política permanente e a ampliação da sua alíquota de 3% para 6% do ressarcimento do crédito aos exportadores; a inclusão da agroindústria no Plano Brasil Maior e no sistema de desoneração da folha salarial; a regulamentação do contrato de prestação de serviços a terceiros; a extinção da contribuição adicional de 10% do FGTS; e o novo código florestal.


"Nossa palavra de ordem é competitividade. Não nos servem os surtos de crescimento, mas sim a competitividade sustentada", reforçou Müller. O presidente da FIERGS lembrou ainda que o atual sistema tributário é nefasto à indústria brasileira. "O produto nacional chega ao consumidor 30% a 40% mais caro do que os importados", lamentou. "Conhecer as posições do setor empresarial é importante para buscarmos uma solução conjunta e resolver os gargalos que prejudicam a economia e toda a sociedade. A FIERGS, por meio das ações do Sesi e do Senai, já vem contribuindo para o futuro do País", salientou o coordenador da Bancada Federal, deputado Renato Molling.


Participaram do encontro os seguintes deputados federais gaúchos: Afonso Hamm, Assis Melo, Elvino Bohn Gass, Giovane Cherini, Henrique Fontana, Jerônimo Goergen, Luiz Carlos Heinze, Luiz Noé, Manuela D‘Avila, Nelson Marchezan jr., Paulo Pimenta, Renato Molling e Vieira da Cunha.

Fonte:  FIERGS   21/5/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Senadores cobram coordenação para avanço das ferrovias

 

Senadores cobram coordenação para avanço das ferrovias

Os senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) defenderam nesta quinta-feira (17), em audiência pública conjunta da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) e da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a necessidade de o governo federal instituir uma coordenação entre os diversos órgãos encarregados do setor ferroviário brasileiro para assegurar o crescimento da atividade. Aloysio Nunes disse que qualquer projeto novo de expansão na área passa por no mínimo nove interlocutores diferentes e não há uma coordenação entre eles.

Blairo Maggi observou que a quantidade de pessoas envolvidas nas decisões faz com que nada seja resolvido. Por isso, ele sugeriu um modelo semelhante ao adotado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o programa Avança Brasil. Segundo Blairo Maggi, várias iniciativas tiveram bom andamento, na ocasião, porque havia gerentes encarregados da interface entre os diversos ministérios e órgãos do governo.

A presidente da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), Lúcia Vânia (PSDB-GO), anunciou que levará à Casa Civil da Presidência da República as principais conclusões das audiências. Estão previstas mais duas reuniões conjuntas da CAE e da CI.

Também presente à audiência, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Delcídio Amaral (PT-MS), afirmou que o programa ferroviário do governo federal está patinando. O problema, segundo ele, contraria a tendência de outros países, que estimulam essa modalidade de transporte.

Modelo

O presidente executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, fez um balanço do setor, a partir do processo de desestatização no governo FHC, entre 1996 e 1999. Como resultado, 11 malhas foram concedidas à iniciativa privada, totalizando 28.366 quilômetros.

Vilaça apresentou os números: o que era prejuízo para os cofres públicos de R$ 2,2 bilhões com a operação da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), entre 1994 e 1997, transformou-se em mais recursos para a União, com a arrecadação de R$ 15 bilhões. Esse montante se refere a concessões, arrendamentos, impostos e contribuições a cargo das empresas concessionárias no período de 1997 a 2011.

Blairo Maggi reconheceu avanços, mas cobrou um aperfeiçoamento do modelo. Segundo ele, falta concorrência entre as empresas, em prejuízo dos usuários, porque o que era monopólio estatal virou monopólio privado.

Usuários

Quem usa transporte ferroviário também reclamou, por meio de sua entidade. O presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários dos Transportes de Carga (Anut), Luís Henrique Baldez, disse que as tarifas são excessivamente altas pela ausência de competição.

Baldez apontou ineficiência em três níveis: físico (baixa conectividade intermodal, entre outros fatores), institucional (burocracia e longos processos decisórios) e regulatório (regras insuficientes ou pouco claras).

Problemas como esse foram reconhecidos pelo superintendente de Serviços de Transportes de Cargas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Noboru Ofugi. Ele disse que o novo marco regulatório do setor deve estimular a interoperabilidade e a intermodalidade.

– A gente verifica que não há uma competição intersetorial entre concessionárias ferroviárias e nós pretendemos fomentar essa competição – acrescentou.


Agência Senado   18/05/2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Graças a commodities, ferrovias crescem 9,6% em 2011

Embora tenham apresentado um desempenho mais tímido do que era esperado pela associação de empresas do setor, as ferrovias brasileiras movimentaram, em todo o ano de 2011, 9,6% mais cargas do que um ano antes. Segundo o Valor apurou, a maior demanda por transporte de minério e de commodities agrícolas - principalmente o açúcar - contribuíram para o resultado.

Os números do ano recuperam o tombo que a movimentação sofreu devido à crise de 2009 - quando a série histórica de crescimentos foi interrompida e a movimentação recuou 12%.

Na América Latina Logística (ALL), principal empresa do setor, o volume transportado cresceu 8,2% (na análise de toneladas por quilômetro útil, para 42,9 milhões). O crescimento ficou abaixo da expectativa de 10% devido ao desempenho do setor industrial, que cresceu apenas 2,9% na comparação anual. Já as commodities agrícolas compensaram a queda e cresceram mais do que o esperado: 10,4%.

Na MRS Logística, colaborou para a alta de movimentação a demanda aquecida por minério de ferro no mercado internacional, puxado pela China, e melhoria no mercado doméstico. Controlada por empresas como Vale, CSN e Usiminas, a concessionária teve crescimento de 5,7% em volume geral transportado e 6,5% no transporte específico de cargas ligadas ao grupo "heavy haul" (minério de ferro, carvão e coque), com acréscimo de 7 milhões de toneladas em relação ao volume de 2010. Apenas para exportação, a MRS transportou mais de 90 milhões de toneladas de minério de ferro no ano.

O desempenho de todas as operadoras no Brasil em 2011 (lista que inclui, além da ALL e da MRS, empresas como Ferrovia Centro-Atlântica), representa um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores e é um recorde para o setor, mas as 515 milhões de toneladas úteis transportadas estão abaixo do que era esperado pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) no começo do ano passado - a previsão era de 530 milhões de toneladas, 15 milhões a mais do que o efetivamente registrado.

Para o professor Paulo Fleury, do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), a produtividade da malha brasileira é limitada. "Nos Estados Unidos, que também têm ferrovias antigas, a velocidade dos trens é pelo menos o dobro do que temos aqui, porque as nossas foram mal projetadas", resume. Enquanto no território americano as composições circulam a pelo menos 40 km por hora, no Brasil a velocidade média é de 20 km por hora, segundo Fleury. "Aqui nossas ferrovias passam por espaços urbanos, por favelas, por cruzamentos de nível. E, por precaução, os trens devem reduzir a velocidade", explica. Além disso, as ferrovias usam, em sua maioria, as chamadas bitolas simples - de menor velocidade do que as largas. "Isso tira a atratividade das ferrovias".

Por outro lado, as concessionárias dizem estar colocando em prática investimentos que totalizarão R$ 6,5 bilhões em 2012. Em 2011, os investimentos foram de R$ 4,7 bilhões. (Colaborou Daniel Rittner, de Brasília)

Fonte:
Jornal Valor Econômico
Fábio Pupo | De São Paulo
Qui, 05 de Abril de 2012